ang lee e a américa, os sonhos e as guerras. com muito amor.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Las películas hay que terminarlas, aunque sea a ciegas

Dose dupla de Almodóvar ontem. Depois de "Abraços Partidos" tive que rever "Mulheres à beira de um ataque de nervos". Amo a cena em que o Ivan dubla Johnny Guittar. Ah, se todos os homens fossem como Johnny... Mas Ivan, claro, não é.
Senti que o Almodóvar perdeu muito de sua inocência de um filme para o outro, mas creio que não se pode permanecer inocente para sempre.
"Abraços Partidos" é lindíssimo, ataca os sentimentos. Me emocionou em muitos momentos, me fez também querer ouvir a voz de Jeanne Moreau e, principalmente, me inspira, me enche de vontade de filmar, escrever, fotografar... E eu amo ele por isso. E estou apaixonada pela Penélope Cruz. Que linda!
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
JOÃO PEREIRA COUTINHO
Bastardos gloriosos
Tarantino é um mestre das preliminares; ele sabe que a piada está no adiamento da piada
Saio de casa para assistir a "Bastardos Inglórios", o último filme de Quentin Tarantino. Trinta minutos depois, a dúvida metafísica: sair ou não sair, eis a questão.
Decido ficar. Decido bem. A minha saúde pode não aguentar tanta risada. Mas, ó deuses, se eu morrer agora, morrerei feliz.
E morrerei feliz pelas exatas razões que perturbaram a crítica "séria" e "moralista", sobretudo na Europa. Quentin Tarantino parodiou a Segunda Guerra Mundial e transformou os judeus nos verdadeiros carrascos do processo?
O meu reino não é deste mundo. Envio apenas um conselho aos filistinos: quem quer saber história, estuda e lê história. Salas de cinema são salas de cinema. Repitam comigo. E repitam também: "Bastardos Inglórios" é, primeiro que tudo, um filme sobre o cinema. Ou, precisando, um filme sobre o poder literalmente salvífico e redentor que o cinema tem sobre a história.
Começa por ter esse poder na própria transfiguração da verdade. Vocês, caros leitores, estão habituados a filmes sobre o Holocausto onde os judeus são meros carneiros nas matanças nazistas? Filmes de um sentimentalismo vulgar que apenas diminui o sofrimento real e inimaginável, e por isso mesmo infilmável, dos judeus na Segunda Guerra?"Bastardos Inglórios" começa por subverter o clichê: os judeus, agora, não são apenas vítimas; também são vingadores, matando nazistas com uma violência paródica e catártica. Liderados por um "redneck" da América profunda (Brad Pitt, primoroso), eles aterram na França ocupada para matar alemães como se matam ratazanas. À paulada.
Paralelamente às pauladas, encontramos também uma sobrevivente judia e francesa, Shosanna (Mélanie Laurent, primorosa), que também ajuda os "Bastardos". Depois de ver a própria família massacrada pelas "ratazanas", ela resolve tratar do assunto montando a sua vingança. Pelas chamas.
Não é fácil aceitar essa inversão essencial de papéis. Desconfio, aliás, que é exatamente por isso que a política defensiva de Israel, hoje, continua a provocar tanta fúria na consciência piedosa do mundo. Como é possível que os judeus, nossos eternos cachorrinhos de estimação, sejam também lobos contra os seus inimigos? Gostamos das vítimas enquanto elas são vítimas. Tarantino explode essa covardia suave.
Mas "Bastardos Inglórios" não se limita a usar o cinema para conceder uma retribuição fantasiosa às vítimas da história. Em "Bastardos Inglórios", é também no cinema, espaço físico de destinos alternativos, que se constrói um desfecho histórico alternativo.
Não sabemos o que teria sucedido à Alemanha se Hitler tivesse sido eliminado em 1939, ou em 1943, ou em 1944: três datas, três tentativas sérias. Provavelmente, o Reich teria desabado mais cedo. Mas sabemos que, em "Bastardos Inglórios", Hitler e seus gângsteres são eliminados na sala de cinema. Como se a sala de cinema fosse também um tribunal último, capaz de repor um simulacro de Justiça num mundo tão radicalmente injusto. Existe humor em Tarantino. Existe violência. Existe, palavra essencial, extravagância. Mas o amor ao cinema, como arte e possibilidade, é provavelmente maior do que a soma das três partes.Disse humor, disse violência, disse extravagância exatamente por essa ordem. Reitero. Esse trio explica a minha estima literária por Tarantino, um diretor que, antes de pensar com imagens, pensa com palavras. Haverá algum diretor vivo que escreva diálogos como Tarantino?Sim, Woody Allen seria um nome válido. Mas Woody Allen é um mestre do "punch line", essa procura desesperada da piada inesperada. Tarantino é um mestre das preliminares. Ele sabe que a piada está no adiamento da piada. Por isso os diálogos de Tarantino nos parecem tão luminosos, no sentido espiritual do termo: eles são a última exibição de racionalidade antes da carnificina irracional.Em "Cães de Aluguel", os bandidos discutem o significado real do tema "Like a Virgin", de Madonna, momentos antes do assalto bancário que corre barbaramente mal. Em "Pulp Fiction", meditamos com Jules (Samuel L. Jackson) e Vincent (John Travolta) sobre o significado sexual de uma massagem nos pés, momentos antes de massacrarem um grupo de pagadores relapsos.
Em "Bastardos Inglórios", esse prazer sádico de esticar a corda é cultivado da primeira à última sequência. Como se os diálogos fossem meras antecâmaras de uma violência que se promete e anuncia.E, quando ela chega, nunca a expressão "comic relief" foi tão apropriada.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
la duras
"Ela estaria sempre pronta, consentindo ou não. É neste ponto preciso que você nunca saberá nada. Ela é mais misteriosa que todas as evidências externas conhecidas até ali por você.
Você nunca saberá também, nem você nem ninguém, nunca, sobre como ela pensa o mundo e você, o seu corpo e o seu espírito, e essa doença pela qual ela diz que você está tomado. Ela mesma não sabe. Ela não saberia dizê-lo a você, você não poderia nada descobrir sobre isso com ela.
Jamais você saberá, nada, nem você nem ninguém, do que ela pensa de você, desta história. Qualquer que seja o número de séculos que encubra o esquecimento das suas existências, ninguém o saberá. Ela, ela não sabe sabê-lo."
...
"Os olhos estão fechados sempre. Dir-se-ia que ela repousa de uma fadiga imemorial. Enquanto ela dorme você esquece a cor dos seus olhos, do mesmo modo que o nome que você lhe deu na primeira noite. Depois você descobre que não é a cor dos olhos que seria para sempre a fronteira intransponível entre ela e você. Não, não a cor, você sabe que esta cairia entre o verde e o cinza, não, não a cor, não o olhar.
O olhar.
Você descobre que ela o olha.
Você grita. Ela se vira para a parede.
Ela diz: Isso vai ser o fim, não tenha medo."
...
" Um dia ela não está mais ali. Você acorda e ela não está mais ali. Ela partiu na noite. A marca do corpo está ainda nos lençóis, ela está fria. è a aurora hoje. Não ainda o sol, mas as bordas do céu estão já claras enquanto que do centro desse céu a obscuridade cai ainda sobre a terra, densa. Não há mais nada no quarto além de você só. O corpo dela desapareceu. A diferença entre ela e você se confirma pela ausência súbita.
Ao longe, nas praias, gaivotas gritariam na escuridão que termina, elas começariam já a se nutrir dos bichos da vasa, a revistar as areias deixadas pela maré baixa. No escuro, o grito louco das gaivotas famintas. Parece-lhe repentinamente nunca tê-lo ouvido."
fragmentos de A Doença da Morte, de Marguerite Duras
sábado, 8 de agosto de 2009
"Pergunta:
Como fazer para não perder tempo?
Resposta:
Sentí-lo em toda sua extensão.
Meios:
Passar os dias na sala do dentista numa cadeira desconfortável; viver as tardes de domingo na varanda; ouvir conferências numa língua que não se compreende; escolher os itinerários de trem mais longos e menos cômodos e viajar à pé, naturalmente; fazer fila na bilheteria dos espetáculos e não ocupar o seu lugar etc."
do diário de Tarrou, em A Peste, de Albert Camus
sexta-feira, 31 de julho de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
"Alguma coisa nos identifica com aquele que nos abandona, e é característico de nossa força voltar - daí nossa maior tristeza"
"Alguma coisa nos separa daquele que fica conosco, e é característico da nossa servidão partir - daí nossa mais minguada alegria"
Cesar Vallejo
citação na introdução da peça Mente Mentira, de Sam Sheppard (1985)
domingo, 12 de julho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
jotabê
Fofa, brutal, PJ Harvey faz um clássico
Valsa, riffs stonianos, latidos e pós-punk convivem em A Woman A Man Walked By, novo CD da britânica e John Parish
Jotabê Medeiros
Candidato desde já a melhor disco do ano, A Woman A Man Walked By (Universal Music), de PJ Harvey e John Parish, é a mais cruel, áspera e bela estranheza a frequentar o universo musical na temporada. De sangue alternativo por excelência, PJ Harvey - paradoxalmente - consegue mover montanhas. Já tornou planetário o virulento refrão "just stick it up your fucking ass", da canção que dá título ao álbum.
Não se deixem enganar pelo jeito fofo e o olhar vulnerável e sonolento de PJ Harvey. Todos os que a conhecem sabem: essa mulher é brutal. Poeta e artista das grandes esferas, Polly Jean escreveu as letras do disco, e o produtor e músico John Parish fez a música. A mixagem do trabalho foi realizada por Flood (pseudônimo de Mark Ellis), mago dos estúdios que trabalhou com U2, Nick Cave, Sigur Rós, Jesus and Mary Chain e Nine Inch Nails, entre outros.John Parish tem em seu currículo diversas trilhas sonoras e também trabalhos com grupos como Eels e Giant Sands. Em 1996, ele já havia trabalhado com PJ no disco Dance Hall at Louse Point. Suas guitarras podem criar climas oníricos em dissonâncias à moda do Sonic Youth, ou remeter ao blues rock inglês dos anos 70 - e é o que ele faz, mas não só.
"Nós devemos amar, ou aceitar as consequências", sentencia PJ Harvey, em The Soldier, citando um certo poeta que não menciona. Um tom surrealista, além de um sabor de diálogo com a poesia clássica, perpassa as letras da menina elétrica PJ Harvey. Em April, por exemplo, a referência é obviamente a TS Eliot. Já a letra de Pig Will Not, segundo conta a própria cantora nas notas do álbum é a O Rebelde, de Charles Baudelaire.
Pretensiosa demais? Não exatamente. Imagine essa neblina de uma poética refinada convivendo com um colchão de punk sujo de clubes como o velho CBGB, nos anos 1970. É mais ou menos isso que dá para sentir em alguns momentos. Pig Will Not começa como uma avalanche punk e termina com um piano de space-jazz. O som pode remeter a Captain Beefheart, assim como Passionless, Pointless poderia perfeitamente ter saído de um disco do Dresden Dolls.
Sincera a ponto de parecer malvada, ela faz da bizarra valsa Leaving California uma espécie de anti-hino ao Estado americano. "Oh, me dê alguma sombra. Oh, Inglaterra, venha logo. Como pude acreditar que poderia viver e respirar em você?/ A Califórnia me matou/ Eu acho que é tempo de partir/ Eu não disse a ninguém que ficaria."Canções de perda e sofrimento, como The Chair, Crack in the Canvas e Sixteen, Fifteen, Fourteen, criam um clima meio doloroso, e os espasmos da memória de PJ Harvey são emoldurados por órgãos, banjos, violão acústico, teclados e gritos, latidos (não é brincadeira; ela late), sussurros e distorção.
Black Hearted Love, que abre o disco, é a faixa em que John Parish exercita sua porção "Rolling Stones 1967", com uns riffs à moda de Keith Richards. Entre as sombras da poesia de PJ Harvey, a inocência rocker dos anos 1960 parece procurar chão firme.Em alguns momentos, como em The Chair, PJ Harvey faz lembrar a misteriosa Nico (a cantora alemã Christa Päffgen, que integrou por breve e fulminante período a banda vanguardista Velvet Underground). Um resenhista disse que parece homenagem à diva do trip-hop, Beth Gibbons. Mas é um trip-hop de cabaré, decadentista.Em outros momentos, PJ é puramente uma "filha" de Patti Smith, mas com um componente de ternura - e ela também não faz política no sentido esquerdista, como Patti Smith faz. Fala das tropas entrando no Paralelo 39, mas se preocupa muito mais com as avarias emocionais que o soldado traz em seu retorno. Essa cicatriz é para sempre.Garota do interior da Inglaterra, que cresceu no condado de Hardy, entre ovelhas e os amigos malucos dos pais hippies, Polly Jean Harvey é uma força incomum no mundo do rock. Nos últimos dez anos, seu disco mais festejado foi Stories from the City, Stories from the Sea, de 2000. Mas nenhum álbum que ela lança tem qualquer coisa de irrelevante. Ela sempre pisa fundo. Nesse novo disco, ela acelera em direção ao abismo.
Letra
Uma vez eu conheci uma mulher-homem
uma amiga corajosa,eu pensei
Logo vi quão errada eu tava
Quando fomos emparelhados contra o muro
Ele tinha bagos de fígadode galinha
Ele tinha baço de fígadode galinha
Ele tinha coração de fígadode galinha
Feito de partes de fígadode galinha
Pequenas partes de fígado
Estava ficando careca precocemente
Toda paixão há muito esfriara
Mas eu queria explorar
Os úmidos becos de sua alma
Todo o tempoele tentou ajudar
Cuspiu na minha cara e riu
Aquela mulher-homem
Eu queria seu f... raboEu queria seu f... rabo
Eu queria seu f... raboEu quero o teu f... rabo
Meu amigo, meu dardo
Ele está parecendo
Atulhado em um táxi
Vejo você inteiro claramente
Chupando uma pequena ervilha
Chupando uma pequena ervilha
Meu, meu pequeno brinquedo
Ele é só um filho da mamãe
Onde está o seu fígado?
Onde está o seu coração?
O que há com todas as suas partes de mulher?
Agora é minha vez de rir
Só enfiando esse p... no seu f... rabo
TRADUÇÃO LIVRE DE LETRA DE A MAN A WOMAN WALKED BAY, DE PJ HARVEY
quarta-feira, 10 de junho de 2009
WONDERFUL
Crítica/ "A Woman a Man Walked By"
PJ Harvey volta teatral em CD difícil e fascinante
Cantora inglesa retoma parceria com o músico John Parish em disco rústico
BRUNO YUTAKA SAITO
PJ Harvey é uma mulher infiel. Não gosta de se prender. Já foi a roqueira reclamando do amante que a deixava seca, a sedutora e perigosa femme fatale, a francamente louca. A cada disco, adquire uma personalidade, seguindo constante na sua inconstância: é autêntica camaleoa do rock. "A Woman a Man Walked By", o mais recente CD, abriga novas faces da cantora inglesa de 39 anos. A mulher e o homem não estão apenas no título. PJ tem a companhia do músico e produtor John Parish, amigo de longa data que co-assina a autoria do disco. Uma ideia básica guiou o trabalho: criar músicas que soassem diferentes de tudo que os dois já tivessem feito antes. O resultado são dez canções cruas, com instrumentos que remetem ao rústico e ao folk, como o banjo e o ukulele. Com clima angustiante, os temas vão do grotesco a descrições de morte e pesadelos. Não é um caminho fácil de seguir -considerá-lo ruim é o atalho mais rápido. Mas para onde quer nos levar esse estranho casal? Em entrevistas recentes, PJ nega tratar-se de trabalho teatral, em que cada música seria a representação de um personagem específico, apesar de ser exatamente esta a sensação transmitida pelas diferentes entonações da cantora, guiada pela dramaticidade das letras.Em "The Soldier", PJ tem um sonho onde é um soldado que anda sobre rostos de mulheres mortas e todos aqueles deixados para trás. Angustiada, canta em falsete, como se estivesse prestes a morrer. No mesmo registro vocal e com clima de mistério, fantasmagórico, ela canta, em "Leaving California": "Como fui cruel em imaginar que eu poderia mudar você". O tom muda radicalmente em "Pig Will Not", inspirada no poema "O Rebelde", de Charles Baudelaire, em que um pecador se recusa a seguir um anjo. PJ incorpora a negação definitiva do personagem e canta a plenos pulmões. Chega até a latir.Na raivosa faixa-título, ela exagera no tom, geme nervosa e conta as agruras daquilo que parece ser um hermafrodita. É como naquelas peças de teatro intensas em que o espectador não sabe se ri ou se chora de emoção. Esses extremos, no entanto, não chegam a diminuir o impacto do disco. A faixa de abertura, a mais tradicional "Black Hearted Love", entre o rock e o blues, é uma das melhores músicas já cantadas por PJ ("quando você chama meu nome em êxtase/ eu ofereço minha alma em sacrifício"). Tematicamente, faz par com a amarga "Passionless, Pointless", um raio-x de final de relacionamento na tradição de "Love Will Tear Us Apart", do Joy Divison. É um ex-casal que ainda dorme na mesma cama, cada um com o rosto virado para paredes opostas. Ela não encontra mais carinho nas mãos do amante. Nesse contexto, o verso "para onde vai a paixão?" entra no rol dos grandes mistérios da vida.
PJ Harvey volta teatral em CD difícil e fascinante
Cantora inglesa retoma parceria com o músico John Parish em disco rústico
BRUNO YUTAKA SAITO
PJ Harvey é uma mulher infiel. Não gosta de se prender. Já foi a roqueira reclamando do amante que a deixava seca, a sedutora e perigosa femme fatale, a francamente louca. A cada disco, adquire uma personalidade, seguindo constante na sua inconstância: é autêntica camaleoa do rock. "A Woman a Man Walked By", o mais recente CD, abriga novas faces da cantora inglesa de 39 anos. A mulher e o homem não estão apenas no título. PJ tem a companhia do músico e produtor John Parish, amigo de longa data que co-assina a autoria do disco. Uma ideia básica guiou o trabalho: criar músicas que soassem diferentes de tudo que os dois já tivessem feito antes. O resultado são dez canções cruas, com instrumentos que remetem ao rústico e ao folk, como o banjo e o ukulele. Com clima angustiante, os temas vão do grotesco a descrições de morte e pesadelos. Não é um caminho fácil de seguir -considerá-lo ruim é o atalho mais rápido. Mas para onde quer nos levar esse estranho casal? Em entrevistas recentes, PJ nega tratar-se de trabalho teatral, em que cada música seria a representação de um personagem específico, apesar de ser exatamente esta a sensação transmitida pelas diferentes entonações da cantora, guiada pela dramaticidade das letras.Em "The Soldier", PJ tem um sonho onde é um soldado que anda sobre rostos de mulheres mortas e todos aqueles deixados para trás. Angustiada, canta em falsete, como se estivesse prestes a morrer. No mesmo registro vocal e com clima de mistério, fantasmagórico, ela canta, em "Leaving California": "Como fui cruel em imaginar que eu poderia mudar você". O tom muda radicalmente em "Pig Will Not", inspirada no poema "O Rebelde", de Charles Baudelaire, em que um pecador se recusa a seguir um anjo. PJ incorpora a negação definitiva do personagem e canta a plenos pulmões. Chega até a latir.Na raivosa faixa-título, ela exagera no tom, geme nervosa e conta as agruras daquilo que parece ser um hermafrodita. É como naquelas peças de teatro intensas em que o espectador não sabe se ri ou se chora de emoção. Esses extremos, no entanto, não chegam a diminuir o impacto do disco. A faixa de abertura, a mais tradicional "Black Hearted Love", entre o rock e o blues, é uma das melhores músicas já cantadas por PJ ("quando você chama meu nome em êxtase/ eu ofereço minha alma em sacrifício"). Tematicamente, faz par com a amarga "Passionless, Pointless", um raio-x de final de relacionamento na tradição de "Love Will Tear Us Apart", do Joy Divison. É um ex-casal que ainda dorme na mesma cama, cada um com o rosto virado para paredes opostas. Ela não encontra mais carinho nas mãos do amante. Nesse contexto, o verso "para onde vai a paixão?" entra no rol dos grandes mistérios da vida.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
somebody that i used to know
I had tender feelings that you made hardBut it's your heart, not mine, that's scarred
So when I go home, I'll be happy to go
You're just somebody that I used to know
You don't need my help anymore
It's all now to you, there ain't no before
Now that you're big enough to run your own show
You're just somebody that I used to know
I watched you deal in a dying day
And throw a living past away
So you can be sure that you're in control
You're just somebody that I used to know
I know you don't think you did me wrong
And I can't stay this mad for long
Keeping a hold of what you just let go
You're just somebody that I used to know
elliot smith
quarta-feira, 20 de maio de 2009
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